O meu País

Não percebo muito de política e acho que nem quero. Do que eu percebo mesmo, é das minhas escolhas.
Não é propriamente fácil ser obrigado a escolher mas, nascendo no meu País, escolher vêm com a educação. 
Dizem que o problema real do meu País é que toda a gente tem uma opinião e ninguém se mexe. Eu mexi-me!...de ali para fora!
E foi uma boa escolha, cresci mais nos últimos 6 anos que nos 20 que vivi no meu País.
Mas...e à custa de quê? De deixar os meus amigos, a minha família, a minha casa, o meu quarto, o meu carro, a minha cadela, o meu café do costume, etc., etc.
Mas o que realmente custa, são os momentos. Aqueles momentos em que os teus amigos se riem de uma piada cúmplice e agora tu não fazes a mínima ideia, aqueles momentos em que querias estar presente só por estar e não podes, aquele momento que querias um abraço e não há ninguém. E isto sim, é uma escolha imposta! Eu não escolhi não estar nesses momentos, muito pelo contrario, eu escolhi estar em todos eles.
Mas o meu País não deixa, porque agora, é ele quem mais ordena dentro de nós oh cidadãos!
Hoje é o dia em que toda a gente no meu País se lembra e vive dessa confortável memória. Que corajosos que nós fomos!
40 anos depois a frase aplica-se da mesma forma, só que não será nesta noite, nem na seguinte, nem na seguinte, nem nunca mais.  O estado a que chegámos já não tem uma noite solene.

E, o que o meu País não percebe é que não custa sair, custa voltar.

Agora, é o meu País dos Outros.

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